Entre a tradição e a experimentação
Os Fogos Fáduos são um projeto musical formado em Coimbra, em 2025, que procura estabelecer uma ligação entre a tradição da Canção de Coimbra e sonoridades contemporâneas. Partindo de referências como a guitarra de Carlos Paredes, a banda desenvolve uma identidade própria, cruzando elementos do rock progressivo, metal, blues e punk.
O trio é constituído por Afonso Castro, na guitarra elétrica e voz, Wiccan, no baixo elétrico, e André Gatões, na bateria acústica. A formação conta ainda com a participação de Mariana Silva, como vocalista convidada no atual ciclo de apresentações.
A composição, a improvisação e a experimentação ocupam um lugar central na abordagem musical dos Fogos Fáduos. A banda procura explorar diferentes texturas e dinâmicas, utilizando a instrumentação tradicional de um grupo de rock para construir uma linguagem que estabelece pontes entre diferentes géneros e influências.
Ode ao Dia: uma viagem por seis emoções
O principal trabalho apresentado pelos Fogos Fáduos é Ode ao Dia, uma obra conceptual com aproximadamente 45 minutos de duração, concebida como uma composição contínua.
A narrativa acompanha simbolicamente um dia na vida de uma pessoa, começando no sonho e percorrendo diferentes momentos, desde o despertar e a manhã até à tarde e à noite, terminando com um novo regresso ao sonho.
Ao longo deste percurso, a música explora seis emoções fundamentais: surpresa, felicidade, medo, tristeza, repulsa e raiva. Estas emoções surgem e transformam-se ao longo da composição, contribuindo para uma narrativa em que os diferentes momentos musicais se encontram interligados.
A participação vocal de Mariana Silva acrescenta uma dimensão narrativa à obra, complementando a componente instrumental e contribuindo para a construção do conceito apresentado pelo grupo.
Uma experiência concebida para o palco
Um dos elementos distintivos dos Fogos Fáduos é a opção por apresentar Ode ao Dia integralmente ao vivo, sem recurso a loops, samples ou sequências pré-gravadas.
Esta abordagem coloca a interpretação dos músicos no centro da experiência, permitindo que a improvisação e a interação entre os instrumentos desempenhem um papel importante na construção de cada apresentação.
Um projeto nascido em Coimbra
Embora tenha surgido recentemente, o projeto procura desenvolver uma abordagem musical que parte da identidade cultural de Coimbra sem ficar limitado às suas tradições.
A referência à Canção de Coimbra e à obra de Carlos Paredes funciona como ponto de partida para uma exploração que atravessa diferentes vertentes do rock, privilegiando a liberdade criativa e a experimentação.