Depois de integrar o projeto Orfélia, Anaïs Thinon inicia um novo percurso enquanto ANTERA. Natural de Lagos, a artista apresenta-se com «DELÍRIA», um disco que aproxima a música tradicional portuguesa da eletrónica e do dream pop.
O adufe, o cante e as harmonias vocais fazem parte das referências do álbum, em diálogo com sintetizadores, ritmos eletrónicos e processamento de voz. Segundo a apresentação do projeto, a intenção passa por transformar essas memórias musicais e explorar as possibilidades que surgem quando são colocadas noutros contextos.
Escritas ao longo dos últimos anos, as oito canções abordam o desamor, a perda, a violência e as relações entre gerações. O título traduz a alteração de perspetiva que pode acompanhar essas experiências. Nas palavras de ANTERA, «DELÍRIA» é um “lugar entre lucidez e sonho”.
A memória familiar surge logo em «MARAFADA», tema de abertura que dá voz à bisavó alentejana da artista, cuja história de fuga à violência doméstica é evocada como símbolo de resistência. A ligação entre gerações regressa em «ALÉM TEJO», dedicada às mulheres do passado, do presente e do futuro.
Noutras canções, o olhar alarga-se à violência da guerra, em «TALVEZ AMANHÃ SEJA PASSADO», ou à recuperação da autonomia e da voz, em «RAINHA», cuja imagem de partida é o grito de uma gaivota. «VALE DO AQUI» aborda o cuidado perante a intensidade da juventude, enquanto «MAL MIRANTE» regressa à experiência do primeiro desgosto amoroso.
A imaginação ocupa o centro de «SEREIA QUÂNTICA». A fechar o alinhamento, «COMO UM BIG BANG» procura uma possibilidade de reconstrução no meio da fragmentação. O tema, lançado a 24 de julho, foi o primeiro single de ANTERA e o avanço de apresentação do álbum.
Com composição, letras, voz, piano e sintetizadores assinados pela artista, «DELÍRIA» conta com Metamito, Sickonce, Diogo Lima e Zé Cruz na produção musical e mistura. A masterização ficou a cargo de Hugo Santos.
O projeto tem também uma dimensão visual, desenvolvida com o videógrafo e artista João Catarino e o coreógrafo e artista visual Daniel Matos. Cada faixa ganha um universo próprio, construído através de planos contínuos, personagens, paisagens e pequenos rituais, prolongando a relação entre música, imagem e performance.