Natural de Vila do Conde, Marta Vilaça é cantora, compositora e instrumentista. Entre a voz, a guitarra e a flauta, tem vindo a construir um universo assente numa escrita intimista, onde experiências pessoais, relações e inquietações servem de ponto de partida para as canções. Em 2025 apresentou Devaneios, o seu primeiro EP, trabalho que antecedeu uma nova etapa criativa que agora desemboca em Outlines.
O álbum de estreia chega a 1 de novembro de 2026 e reúne oito temas cantados em português e inglês. Segundo a apresentação do projeto, Outlines funciona como um mapa emocional em torno de identidade, mudança, relações, pertença e da forma como lidamos com a passagem do tempo. Musicalmente, Marta Vilaça procura aproximar elementos orgânicos e digitais através de uma sonoridade eletrónica e atmosférica. O disco foi gravado por João Robim, no The Village.

O primeiro sinal desta nova fase chegou a 1 de setembro com All Blurred. A canção parte da ideia de poder ser um ponto de apoio para alguém que perdeu o rumo, abordando a proximidade, a presença e os pequenos gestos capazes de ajudar outra pessoa a recuperar alguma direção. O respetivo videoclipe foi filmado integralmente em Vila do Conde e produzido por Ilja Korjinko.
A 1 de outubro, Marta Vilaça revela Paz ao Acaso, segundo avanço do álbum e uma canção que desloca parcialmente o olhar do universo individual para uma questão coletiva mais ampla.
O tema nasce de uma inquietação perante a guerra e perante a forma desigual como diferentes pessoas experienciam a violência dependendo simplesmente do lugar onde nasceram. No centro da composição está o privilégio de poder viver em paz enquanto conflitos e situações extremas, observados à distância, correm o risco de se transformar em acontecimentos abstratos ou progressivamente normalizados.
Paz ao Acaso procura precisamente contrariar essa distância. Marta Vilaça aborda a fragilidade da vida, a necessidade de empatia e a responsabilidade de não perder de vista aquilo que acontece mesmo quando parece estar longe. A ideia atravessa a própria mensagem que acompanha a canção: a banalização do mal pode tornar-se uma das ferramentas que permitem a sua continuidade.
Essa dimensão ganha particular peso no videoclipe. Em vez de uma narrativa convencional, o vídeo foi construído integralmente a partir de fotografias captadas pelo fotojornalista Adriano Miranda durante a guerra na Ucrânia, numa montagem produzida e editada por Júlio Aguiar. A opção aproxima diretamente a canção de imagens documentais de um conflito real, retirando a reflexão do domínio exclusivamente abstrato.
Com All Blurred e agora Paz ao Acaso, começam assim a definir-se os primeiros contornos de Outlines: um disco que Marta Vilaça apresenta como um percurso entre aquilo que muda, aquilo que permanece e as perguntas que acompanham esse processo.
O trabalho em torno do primeiro single já passou também por diferentes espaços dedicados à música independente, incluindo Rádio B, Rádio Ousiro, ES Radio e Indisciplina, além de uma atuação no Porto Canal e presença na publicação Portugal Rebelde.
Outlines é editado a 1 de novembro de 2026. Antes disso, Paz ao Acaso fica disponível a 1 de outubro, acompanhado pelo respetivo videoclipe.