Proyecto Escapulario procurou nas raízes do povo Boruca a inspiração para Cuasrán

O projeto costa-riquenho liderado por Ariel Maniki apresenta Cuasrán, um novo single onde o rock alternativo, as raízes latino-americanas e a memória ancestral do povo boruca se encontram numa composição marcada pela natureza, resistência e identidade.

O Proyecto Escapulario, projeto costa-riquenho liderado por Ariel Maniki, apresenta Cuasrán, um novo single que aprofunda a ligação entre o rock alternativo e as raízes culturais latino-americanas que têm vindo a definir o percurso do grupo.

Ativo desde 2024, o Proyecto Escapulario nasceu de uma vontade de Maniki de voltar a escrever em espanhol depois de vários anos a compor maioritariamente em inglês. Conhecido também pelo trabalho desenvolvido com Ariel Maniki and the Black Halos, o músico encontrou neste novo projeto espaço para aproximar as atmosferas mais sombrias do rock alternativo, goth, darkwave e ritmos provenientes da América Latina.

Essa procura ficou evidente no álbum de estreia, Algo En La Sangre, editado a 21 de março de 2025. Ao longo de 12 temas, o disco cruza guitarras e ambientes de rock com elementos de bolero, son, cumbia, danzón e outras tradições latino-americanas, contando com a colaboração de mais de uma dezena de músicos costa-riquenhos.

Com Cuasrán, essa relação com a identidade cultural da Costa Rica ganha uma dimensão ainda mais específica. A canção nasceu na sequência de uma visita de Ariel Maniki à comunidade boruca, no sul do país, e encontra inspiração numa das figuras mais importantes da tradição daquele povo indígena.

Cuasrán é reconhecido pela tradição boruca como um herói cultural e líder espiritual associado à proteção da comunidade, das suas tradições e dos recursos naturais. Relatos preservados pela Universidade da Costa Rica descrevem-no como uma figura que terá procurado refúgio nas montanhas durante o período colonial e que, na tradição oral, continua a velar pelo povo boruca.

Também musicalmente Cuasrán prolonga a vontade de cruzar universos distintos. Uma base de rock alternativo e guitarras de maior intensidade convive com arranjos de violino e piano, contribuindo para uma produção simultaneamente orgânica e sombria. Na gravação participaram, além de Ariel Maniki, Birley Rivera, Erick Nassar, Jorge Durán, Noe Urtecho, Daniel Kohkemper e Milette Porras.

A aproximação à cultura boruca estendeu-se igualmente à apresentação ao vivo do tema. A 11 de setembro, no Amón Solar, em San José, o Proyecto Escapulario partilhou uma noite dedicada ao rock latino, à experimentação e às raízes indígenas com Tropical Zen e com o coletivo teatral boruca Cájc Chí. Proveniente da própria comunidade, o coletivo desenvolve trabalho em torno da preservação das histórias e tradições indígenas, acrescentando uma dimensão performativa e cultural ao evento.

Cuasrán surge assim como mais um capítulo na exploração iniciada pelo Proyecto Escapulario com Algo En La Sangre: um projeto que não procura abandonar as referências alternativas e sombrias do percurso de Ariel Maniki, mas colocá-las em diálogo com uma identidade latino-americana mais ampla. Desta vez, esse caminho leva diretamente à memória boruca e a uma figura que continua a ocupar um lugar relevante na tradição e identidade daquela comunidade.

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