Com entrada gratuita e concertos distribuídos pelo Palco Lux Records e pelo Palco Águas de Coimbra, o festival juntou nomes históricos da música alternativa, projetos emergentes e várias bandas ligadas à cidade.
17 de setembro
O primeiro dia abriu com A Boy Named Sue DJ Set, preparando o ambiente para uma noite em que as fronteiras entre estilos musicais rapidamente se tornaram difíceis de definir.
Os Idiotheque foram os primeiros a subir ao Palco Águas de Coimbra. Ligado à região da Serra da Estrela, o projeto trouxe ao Jardim da Sereia uma sonoridade experimental, feita de texturas eletrónicas, ritmos inesperados e paisagens sonoras que convidaram o público a entrar lentamente no universo do festival.
Com Tito Ramírez, a noite ganhou balanço e sabor latino. O músico espanhol viajou pelo soul, pelo funk, pelo rhythm and blues e pelo boogaloo, recuperando o espírito quente e dançável dos clubes das décadas de 1960 e 1970. Entre o mistério da personagem e a força dos ritmos, o concerto trouxe uma atmosfera de celebração ao Jardim da Sereia.
Já depois da meia-noite, os Throes + The Shine fizeram colidir guitarras, eletrónica, kuduro e ritmos africanos e latino-americanos. A proposta do projeto luso-angolano vive do movimento e da intensidade, transformando cada tema num convite à dança. O primeiro dia terminou com Disko Mondo DJ Set, prolongando a música pela madrugada.
18 de setembro
A segunda jornada começou ao som de Daniel Figueira DJ Set, antes de o palco receber os Gulag Motel. Representante de uma nova geração de músicos de Coimbra, a banda mostrou que a cidade continua a ser terreno fértil para projetos inquietos e novas linguagens alternativas. De salientar que foi a estreia em concertos e que será um projeto para acompanhar de perto.

















Formados em Coimbra, os The Twist Connection levaram ao festival uma mistura crua e acelerada de rockabilly, rock’n’roll, garage e punk. Com guitarras afiadas e canções tocadas sem rodeios, o grupo recuperou o espírito mais direto e visceral do rock. Ao centro, Kaló com a sua voz e a bateria, conduziu o concerto e o público com a sua presença singular e um ritmo incansável.
























A passagem dos franceses Kap Bambino trouxe uma verdadeira descarga eletrónica. O duo combina punk, electroclash e sintetizadores frenéticos numa sonoridade urgente e explosiva. As batidas aceleradas de Orion Bouvier e a intensidade física da vocalista Caroline Martial, que caracterizam as suas atuações, transportaram o festival para um território próximo de uma pista de dança cheia de energia.
































Ana Curra trouxe consigo a memória viva da Movida Madrileña. Figura central do punk e do pós-punk espanhol, a artista e a sua fantástica banda construiram uma atuação atravessada pela atitude, pela teatralidade e atmosferas sombrias. A presença de uma das vozes mais emblemáticas da cultura alternativa espanhola acrescentou ao cartaz uma ligação direta à história do punk europeu. Um concerto onde ficou demonstrado o motivo pelo qual Ana Curra é considerada a rainha do punk espanhol.






























A noite ganhou peso com os Bizarra Locomotiva, donos de uma presença em palco difícil de ignorar. Entre guitarras esmagadoras, ritmos mecânicos e a voz de Rui Sidónio carregada de tensão, a banda construiu uma atuação intensa, quase física, transformando cada tema numa descarga sonora. Décadas depois da sua formação, os Bizarra continuam a demonstrar uma força impressionante ao vivo e continuam a ser uma das grandes referências da música industrial portuguesa.










































19 de setembro
O último dia começou com Brian Rockindad DJ Set, seguindo-se um dos encontros mais particulares do programa: os The Pages atuaram com o coro conimbricense BAIXaVOZ. A combinação entre a identidade da banda e a força coletiva das vozes criou um momento especial, sublinhando a ligação do festival à comunidade cultural de Coimbra.
Os The Walks deram continuidade à representação da cena local, levando a sua música ao Jardim da Sereia antes de Lucky Panther DJ Set fechar a programação da tarde.
Os Weird Omen trouxeram ao Jardim da Sereia um garage rock primitivo, intenso e deliciosamente imprevisível. Entre guitarras carregadas de fuzz, batidas frenéticas e o som profundo do saxofone barítono, o trio francês criou uma atmosfera quase hipnótica, onde o psicadelismo se encontrou com a urgência do rock’n’roll. Em palco, a banda mostrou uma identidade muito própria e deram um concerto vibrante e contagiante.



























Os The Skids trouxeram várias décadas de história do punk e do pós-punk britânico. Formada na Escócia em 1977, a banda regressou a Portugal depois de uma longa ausência, recuperando a urgência de canções que atravessaram gerações. A sua presença ligou o festival às origens do punk europeu e recordou como essa energia continua viva tantos anos depois. A reação entusiástica do público confirmou que os The Skids eram um dos nomes mais aguardados da noite, num concerto intenso e conduzido pela presença carismática de Richard Jobson, que voltou a demonstrar ser um frontman de excelência.





















O último concerto pertenceu aos londrinos MADMADMAD. Entre o post-punk, a no wave, o funk e a eletrónica, o trio construiu uma música hipnótica, sustentada por baixos repetitivos, ritmos densos e uma sensação permanente de movimento. Foi um encerramento do Festival Rocketmen em grande e que deixa a vontade de continuidade para próximas edições.




















Na perspetiva de quem acompanhou o festival, esta foi uma edição que decorreu sem sobressaltos, com os concertos a começarem sem atrasos, pontos de água gratuitos e um cartaz de grande qualidade. Depois das várias contrariedades enfrentadas em edições anteriores, o Rocketmen demonstrou este ano que está a encontrar o caminho certo, deixando boas perspetivas para o seu crescimento e para as próximas edições.
Até ao próximo ano…