Depois de anos associados a um heavy psych mais expansivo, o novo trabalho aproxima-se de um som mais seco, cru e imediato, onde garage rock, proto-punk e tensão rítmica ganham maior protagonismo.
A banda começou por se afirmar na década passada com uma sonoridade fortemente ligada ao psicadelismo, blues pesado e fuzz, patente em trabalhos como Lake of Fire, What The Fuzz! e Reflections. Ao longo desse percurso, Joana Brito e companhia construíram uma identidade muito própria dentro da cena rock portuguesa, mas Force Majeure & The Acts of God mostra um grupo menos interessado em prolongar fórmulas anteriores.
O álbum foi gravado nos Arda Studios, no Porto, durante uma sessão concentrada de cinco dias, com Cooper Crain responsável pela gravação, engenharia e mistura. A masterização ficou a cargo de Mickey Young. Essa forma de trabalho ajuda a explicar a energia direta do disco, que aposta mais na urgência e na fricção do que na construção de longas paisagens psicadélicas.
As letras acompanham essa mudança de tom. Joana Brito foi buscar inspiração a temas ligados à política, género e masculinidade tóxica, dando ao álbum uma dimensão mais crítica. Killing The Buzz, lançado anteriormente como single, é um dos exemplos mais claros dessa postura, com uma carga particularmente punk e uma crítica direta ao espetáculo político e à divisão social.
A formação atual junta Joana Brito na voz e guitarra, José Gomes no baixo e voz e Helena Peixoto na bateria e coros. Em Force Majeure & The Acts of God, o trio parece interessado sobretudo em retirar excessos, deixando riffs, o ritmo e voz avançarem de forma mais frontal.
Mais do que uma simples continuação discográfica, Force Majeure & The Acts of God soa a reajuste de identidade. Os The Black Wizards continuam reconhecíveis, mas agora com menos neblina psicadélica e mais urgência, atrito e impulso.